maria olhou com discrição e alguma vergonha para os olhos dele, que fugiram dela num instante só, rapidamente se viraram para a direita pro cartaz do filme que seria exibido na sala 1. ali era grande e você poderia se perder entre as cadeiras vermelhas. e foi exatamente o que planejaram, ele e ela. não suportaram a idéia que ambos continuaram com o hábito de ir ao cinema nos domingos no inicio da noite. não no cinema, mas naquele cinema que por tantos anos foram na companhia um do outro, que tantas vezes ele a vira chorar no final, ou no inicio, ou no meio - era bem verdade que ela era uma chorona e fazia questão de esconder isso. ele respeitava sua vergonha e fingia não notar os olhos vermelhos e reservava o silencio [que não era constrangedor] para aqueles minutos em que o tom avermelhado do glóbulo branco precisa para voltar ao normal. ela fingia que não sabia que ele fingia não notar.
a fila aumentou, outras pessoas chegavam em poucos minutos e em um tom indiferente [forjado com pouca chance de convencimento] ele veio cumprimentar maria, que vendo a patética situação criada pelo hábito cinéfilo se viu em um beco sem saída, do tipo se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. o bicho em questão era o desejo, com cinco xícaras de amor, três de tesão, oito de cumplicidade. não entendiam como deixaram as coisas chegarem a este ponto, mas sabiam que não fora algo planejado, consciente.
- oi...
- oi - com um sorrisso no canto da boca misturado com um nervosismo que dava-lhe cólica maria respondeu - e você continua vindo aqui...
- pois é, e você também!
- mas eu posso, afinal eu que te trouxe aqui, lembra?
sentaram-se juntos como faziam e foi quando ele passou seu braço esquerdo sobre os ombros dela e como reação do corpo, ela se encollheu e sua cabeça descansou sobre ele.
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22.3.09
26.2.09
o script não foi seguido e a barba mal feita, tal como as unhas dela que não tinham mais a cor de café expresso. dessa vez, pintou-as francesinha e cortou os cabelos escuros.
Ele, cujo nome ela nunca revelara a mim, não gostou daquela mudança, ele gostava tanto de café que chupava seus dedos finos e pequenos quando os via com aquela cor. Maria sabia disso e usava bem essa fraqueza, que era como um código que ambos elaboraram ao silêncio. Era ela aparecer com aquelas unhas e ele sabia que podia quando bem quisesse atravessar as mãos pelo vestido ou saia. Coisas de casal, todo e qualquer par que se preze inventa uma linguagem própria, cheia de símbolos, significados que pertencem ao número restrito de pessoas, dois. Uma amiga de Maria comentou durante a semana sobre um 'sinal' do seu marido, se ele olhar para a tv e o relógio com aquela expressão, a sobrancelha esquerda mais elevada, ela lhe vinha com o jornal. Maria de repente se imaginou servindo café e não o seu desejo ardente se continuasse com aquela linguagem. Por isso, pintou as unhas à francesinha no outro dia de manhã e chegou com mais vontade de ter aquele homem dentro dela do que em qualquer outro dia. Ele assustado pensou duas vezes antes de passar as mãos por entre as pernas de Maria ainda no carro, mas ela se vestiu pra isso e com elas entreabertas convidava os olhos dele, bem como suas mãos. Foi quando ele disse:
- porque as unhas estão claras hoje?
- resolvi mudar, meu bem
- e porque? gosto tanto delas daquela outra cor...
- eu sei, mas é melhor não cair na rotina. Me beije aqui - disse ela apontando para a boca fresca.
Ele a beijou, e seu pensamento era uma confusão, havia apenas alguns meses que saiam juntos, encontros que eram casuais porém com certa regularidade, que o atormentava uma noite ou outra, mas que ele sempre cedia porque, como ele mesmo admitia, Maria tinha o gosto muito bom, era gostosa. Intrigava era essas ações dela, que gostava de ficar só algumas vezes, em um silencio absoluto, e virava e mexia, saia com uma dessa de cair na rotina, fugir do compromisso, descarrilhar o trem, não que ele quisesse que fosse tudo certo, como manda o script, não, ele gostava da casualidade, da amizade colorida, da intimidade que existia muito mais na cama do que em qualquer outro lugar. Foi um tormento quando abriu os olhos novamente, já estava ela de olhos abertos, e foi a primeira vez que ele percebera que ela sempre abria olhos primeiro que ele. Começou a observa-la mais de perto, com mais precisão ou atenção.
Ela ainda abaixando a mão em direção ao peito dele, sentiu a aproximação do corpo grande daquele homem muito rápida, ele fugia de algo, pensou ela, e enquanto o beijava não conseguiu como nos outros beijos, apenas senti-lo, ela se indagava daqueles olhos fechados, daquela rapidez da língua e não mais podia fingir sentimento, abriu os olhos. Foi quando ele percebeu.
Não conversaram mais que meia hora e foram pra cama, daquele dia em diante ele pensou ser outro código inventado, unhas à francesinha era sinômino de mais desejo e ela pensou ter rompido com um código. enganaram-se os dois, mas não a mim.
(perdoe-me terminei o texto desajeitado, nem falei do corte de cabelo dela, mas é que preciso continuar com as fotos, e os amigos me chamam querendo-as.... outra hora ou dia continuo e justifico, não coloco como rascunho porque então aí é que eu abandono a estória... já tem tantas coisas que abandono que preciso me manter presa pelo menos nisso aqui.)
Ele, cujo nome ela nunca revelara a mim, não gostou daquela mudança, ele gostava tanto de café que chupava seus dedos finos e pequenos quando os via com aquela cor. Maria sabia disso e usava bem essa fraqueza, que era como um código que ambos elaboraram ao silêncio. Era ela aparecer com aquelas unhas e ele sabia que podia quando bem quisesse atravessar as mãos pelo vestido ou saia. Coisas de casal, todo e qualquer par que se preze inventa uma linguagem própria, cheia de símbolos, significados que pertencem ao número restrito de pessoas, dois. Uma amiga de Maria comentou durante a semana sobre um 'sinal' do seu marido, se ele olhar para a tv e o relógio com aquela expressão, a sobrancelha esquerda mais elevada, ela lhe vinha com o jornal. Maria de repente se imaginou servindo café e não o seu desejo ardente se continuasse com aquela linguagem. Por isso, pintou as unhas à francesinha no outro dia de manhã e chegou com mais vontade de ter aquele homem dentro dela do que em qualquer outro dia. Ele assustado pensou duas vezes antes de passar as mãos por entre as pernas de Maria ainda no carro, mas ela se vestiu pra isso e com elas entreabertas convidava os olhos dele, bem como suas mãos. Foi quando ele disse:
- porque as unhas estão claras hoje?
- resolvi mudar, meu bem
- e porque? gosto tanto delas daquela outra cor...
- eu sei, mas é melhor não cair na rotina. Me beije aqui - disse ela apontando para a boca fresca.
Ele a beijou, e seu pensamento era uma confusão, havia apenas alguns meses que saiam juntos, encontros que eram casuais porém com certa regularidade, que o atormentava uma noite ou outra, mas que ele sempre cedia porque, como ele mesmo admitia, Maria tinha o gosto muito bom, era gostosa. Intrigava era essas ações dela, que gostava de ficar só algumas vezes, em um silencio absoluto, e virava e mexia, saia com uma dessa de cair na rotina, fugir do compromisso, descarrilhar o trem, não que ele quisesse que fosse tudo certo, como manda o script, não, ele gostava da casualidade, da amizade colorida, da intimidade que existia muito mais na cama do que em qualquer outro lugar. Foi um tormento quando abriu os olhos novamente, já estava ela de olhos abertos, e foi a primeira vez que ele percebera que ela sempre abria olhos primeiro que ele. Começou a observa-la mais de perto, com mais precisão ou atenção.
Ela ainda abaixando a mão em direção ao peito dele, sentiu a aproximação do corpo grande daquele homem muito rápida, ele fugia de algo, pensou ela, e enquanto o beijava não conseguiu como nos outros beijos, apenas senti-lo, ela se indagava daqueles olhos fechados, daquela rapidez da língua e não mais podia fingir sentimento, abriu os olhos. Foi quando ele percebeu.
Não conversaram mais que meia hora e foram pra cama, daquele dia em diante ele pensou ser outro código inventado, unhas à francesinha era sinômino de mais desejo e ela pensou ter rompido com um código. enganaram-se os dois, mas não a mim.
(perdoe-me terminei o texto desajeitado, nem falei do corte de cabelo dela, mas é que preciso continuar com as fotos, e os amigos me chamam querendo-as.... outra hora ou dia continuo e justifico, não coloco como rascunho porque então aí é que eu abandono a estória... já tem tantas coisas que abandono que preciso me manter presa pelo menos nisso aqui.)
5.2.09
curtíssimo capitulo III: sobre ele
Sempre aquele semblante mostrava-se calmo e o apreço que possuia por aquela profissão era muito grande. Estudara muito por muito tempo e de alguma maneira podiamos ver em suas falas comentários cândidos em relação ao seu futuro. Polido. Gentil. Funcionava feito máquina e tinha gostos normais para os que o vissem de fora e esquisitos para alguem que o visse por dentro. Repetidas vezes concordara que a ideia de se envolver naquele momento com outro ser, desprovido de uma armadura contra as tentações do seu desejo, lhe culminaria numa emboscada. Sem ser destro, com destreza caminhava pelos assuntos e tinha um humor elevado. Um requinte no andar e paladar, com bom ouvido. Bom entendedor no melhor sentido da expressão do comercial de cerveja. Para ele, meia-palavra-basta.
Numa noite pegou-se sem dormir ao pensar no vazio que sentira naquele dia, um dia duro que nem mesmo as pequenas doses de bebida no inicio da noite aliviaram as tensões dos ombros. Queria era uma massagem de um par de mãos leves, talvez pequenas. Fazia pouco tempo que preferia o costume de ser só mas tinha a necessidade de dormir acompanhado de um outro corpo alguns dias. Meio macho, meio homem, meio moleque, mas gostava mesmo era de ser o primeiro - um toque mais selvagem nas palavras já que nos gestos e no olhar era tão feminino como uma moça. Sussurrou para seus próprios neurônios as atitudes que devia tomar e a concentração que deveria manter no trabalho até que não aguentou. Pegou as chaves e saiu pra ver estrelas com o vento do mar soprando aos ouvidos a melodia da calma no odiado, mas desejado [somente naquele momento] silêncio.
Sempre aquele semblante mostrava-se calmo e o apreço que possuia por aquela profissão era muito grande. Estudara muito por muito tempo e de alguma maneira podiamos ver em suas falas comentários cândidos em relação ao seu futuro. Polido. Gentil. Funcionava feito máquina e tinha gostos normais para os que o vissem de fora e esquisitos para alguem que o visse por dentro. Repetidas vezes concordara que a ideia de se envolver naquele momento com outro ser, desprovido de uma armadura contra as tentações do seu desejo, lhe culminaria numa emboscada. Sem ser destro, com destreza caminhava pelos assuntos e tinha um humor elevado. Um requinte no andar e paladar, com bom ouvido. Bom entendedor no melhor sentido da expressão do comercial de cerveja. Para ele, meia-palavra-basta.
Numa noite pegou-se sem dormir ao pensar no vazio que sentira naquele dia, um dia duro que nem mesmo as pequenas doses de bebida no inicio da noite aliviaram as tensões dos ombros. Queria era uma massagem de um par de mãos leves, talvez pequenas. Fazia pouco tempo que preferia o costume de ser só mas tinha a necessidade de dormir acompanhado de um outro corpo alguns dias. Meio macho, meio homem, meio moleque, mas gostava mesmo era de ser o primeiro - um toque mais selvagem nas palavras já que nos gestos e no olhar era tão feminino como uma moça. Sussurrou para seus próprios neurônios as atitudes que devia tomar e a concentração que deveria manter no trabalho até que não aguentou. Pegou as chaves e saiu pra ver estrelas com o vento do mar soprando aos ouvidos a melodia da calma no odiado, mas desejado [somente naquele momento] silêncio.
1.2.09
curto capítulo II: sobre ela
Pensava ela, no nosso belo-azul-ensolarado dia de manhã, nas coisas que fizera naquela tarde anterior. Diante do espelho com o creme de espinhas espalhado pelo rosto - creme que fazia dois anos que estava no depósito de coisas inuteis, acompanhado do baton cor de boca, da meia calça fina, do secador de cabelos - repetia as frases compulsivamente, as frases que deveria ter dito a ele com alguma irresponsabilidade, como ele já tinha feito algumas vezes com ela. Os olhos de cor castanho-comum lagrimejavam e com o rude pensar sugeriu a si mesmo que era a validade do creme que estava vencida. Na verdade não adiantava chorar agora, muito menos pragejar o gozo rápido de uma tarde quente.
10:33 AM chegou perto da geladeira e a abriu procurando algo para mastigar, viu só uma garrafa d'àgua e lembrou da crise renal do seu amigo, e friso, não lembrou do amigo, ele já martelava a cabeça de Maria [que não era Tereza, nem Das Graças, muito menos Luísa) desde as 5:48 AM com aquelas imagens difusas de sorrissos, beijos, carícias e de concentração na leitura de livros. Maria [só Maria] permitiu-se voltar alguns dias do tempo corrido da vida e rememorar umas poucas trocas de olhares tímidos nos meados do ano anterior. Por ela estas lembranças poderiam sofrer processo de decomposição, mas as ingratas não saiam dela, as levavam era de volta a tempos passados quando ainda não conhecia as formas do corpo humano como convites irrecusaveis ao prazer. Ficou a indagar-se quantas mulheres aquele amigo já possuira e quantas frequentavam aquela cama confortavel e afixionada por aquelas performances delirantes queixava-se do pouco ritmo de seus movimentos. Foram dois minutos que a enxurrada da memória veio em um fluxo intenso e ao fim deles concluiu sua fragilidade: não poderia nunca confiar em alguem pois até ela colocara-se na mira dos que deveriam dormir e não acordar. A filosofia de Maria era que a vida vale a pena se a consumimos com vontade e destreza. Concordo com ela numa parte. E ela até que consumia a vida com vontade, todavia a habilidade nem a experiência havia lhe proporcionado em quantidade necessária.
Voltou os olhos para aquele livro de capa rosa e páginas amareladas decidindo o resto do seu dia, deitada nua na cama em pronação devoraria cada fonema daquele velho que tão bem escrevera sobre paixões humanas. Talvez compreenderia sua condição - que até deveria ser passageira só que as concepções de Maria e do Tempo de passageiro diferiam muito, para a primeira deveria ser rápido e medido em dias, para o segundo não deveria ser nem isto, nem aquilo, nem medido podia ser.
Declamava Maria
" - a alma que possui a mais longa escala e mais fundo pode descer,
a alma mais extensa, que mais longe pode correr e errar e vagar dentro de si,
a mais necessária, que com prazer se lança no acaso,
a alma que é, e mergulha no vir a ser, a que tem, e quer mergulhar no querer e desejar,
a que foge de si mesma, que a si mesma alcança nos circulos mais amplos,
a alma mais sábia, à qual fala mais docemente a tolice,
a que mais ama a si mesma, na qual todas as coisas têm
sua corrente e contracorrente, seu fluxo e refluxo - "
Perdoe-me, mas devo adiantar. Maria tinha uma alma livre e sofria por isso, queria prendê-la dentro de si. Não conseguia. A velhice era esperança para ela e sua mãe com o olhar de lince esperava isto também. Conversavam muito apesar do silêncio constante de Maria, a mãe vezes por outra argumentava diante da filha sua precisão de colocar para fora em som o brilho dos olhos perdidos em tormentas nuvens. A filha ignorava, era silenciosa e arrogante. Até a forma de andar denunciava tais características.
Lera naquele dia entre perdas de raciocínio e cochilos, 117 folhas. Tomou um café forte e vestiu-se bonita para conquistar uns elogios. Pegou a bolsa comprada na feira de todo sábado na praça e saiu a rebolar com certa decência, podia ser sensual, mas odiava ser vulgar e percebera que deixou-se ser por duas horas no dia de ontem. Quando findava o dia pensou no cheiro daquele lugar e até podia sentir - de longe - o gosto do suor amigo. Comeu, sorriu e pensou sobre o mundo e um filete sobre arte. Dormiu sem vê-lo aquele domingo e saboreou a vantagem de ser só quando queria.
21:35 PM. Ela não dormiu sem vê-lo, na verdade ele apreceu lá acompanhado de alguem que parecia melhor que Maria. A unica saída foi desviar o olhar e fingir não ver, porque ela já não sabia o que era, nem o que sentia... um misto de decepção com vergonha, de raiva com medíocridade. Arrependimento talvez. Podia ser de mil maneiras mas foi dessa. Agora de noite tudo parece irreal.
Pensava ela, no nosso belo-azul-ensolarado dia de manhã, nas coisas que fizera naquela tarde anterior. Diante do espelho com o creme de espinhas espalhado pelo rosto - creme que fazia dois anos que estava no depósito de coisas inuteis, acompanhado do baton cor de boca, da meia calça fina, do secador de cabelos - repetia as frases compulsivamente, as frases que deveria ter dito a ele com alguma irresponsabilidade, como ele já tinha feito algumas vezes com ela. Os olhos de cor castanho-comum lagrimejavam e com o rude pensar sugeriu a si mesmo que era a validade do creme que estava vencida. Na verdade não adiantava chorar agora, muito menos pragejar o gozo rápido de uma tarde quente.
10:33 AM chegou perto da geladeira e a abriu procurando algo para mastigar, viu só uma garrafa d'àgua e lembrou da crise renal do seu amigo, e friso, não lembrou do amigo, ele já martelava a cabeça de Maria [que não era Tereza, nem Das Graças, muito menos Luísa) desde as 5:48 AM com aquelas imagens difusas de sorrissos, beijos, carícias e de concentração na leitura de livros. Maria [só Maria] permitiu-se voltar alguns dias do tempo corrido da vida e rememorar umas poucas trocas de olhares tímidos nos meados do ano anterior. Por ela estas lembranças poderiam sofrer processo de decomposição, mas as ingratas não saiam dela, as levavam era de volta a tempos passados quando ainda não conhecia as formas do corpo humano como convites irrecusaveis ao prazer. Ficou a indagar-se quantas mulheres aquele amigo já possuira e quantas frequentavam aquela cama confortavel e afixionada por aquelas performances delirantes queixava-se do pouco ritmo de seus movimentos. Foram dois minutos que a enxurrada da memória veio em um fluxo intenso e ao fim deles concluiu sua fragilidade: não poderia nunca confiar em alguem pois até ela colocara-se na mira dos que deveriam dormir e não acordar. A filosofia de Maria era que a vida vale a pena se a consumimos com vontade e destreza. Concordo com ela numa parte. E ela até que consumia a vida com vontade, todavia a habilidade nem a experiência havia lhe proporcionado em quantidade necessária.
Voltou os olhos para aquele livro de capa rosa e páginas amareladas decidindo o resto do seu dia, deitada nua na cama em pronação devoraria cada fonema daquele velho que tão bem escrevera sobre paixões humanas. Talvez compreenderia sua condição - que até deveria ser passageira só que as concepções de Maria e do Tempo de passageiro diferiam muito, para a primeira deveria ser rápido e medido em dias, para o segundo não deveria ser nem isto, nem aquilo, nem medido podia ser.
Declamava Maria
" - a alma que possui a mais longa escala e mais fundo pode descer,
a alma mais extensa, que mais longe pode correr e errar e vagar dentro de si,
a mais necessária, que com prazer se lança no acaso,
a alma que é, e mergulha no vir a ser, a que tem, e quer mergulhar no querer e desejar,
a que foge de si mesma, que a si mesma alcança nos circulos mais amplos,
a alma mais sábia, à qual fala mais docemente a tolice,
a que mais ama a si mesma, na qual todas as coisas têm
sua corrente e contracorrente, seu fluxo e refluxo - "
Perdoe-me, mas devo adiantar. Maria tinha uma alma livre e sofria por isso, queria prendê-la dentro de si. Não conseguia. A velhice era esperança para ela e sua mãe com o olhar de lince esperava isto também. Conversavam muito apesar do silêncio constante de Maria, a mãe vezes por outra argumentava diante da filha sua precisão de colocar para fora em som o brilho dos olhos perdidos em tormentas nuvens. A filha ignorava, era silenciosa e arrogante. Até a forma de andar denunciava tais características.
Lera naquele dia entre perdas de raciocínio e cochilos, 117 folhas. Tomou um café forte e vestiu-se bonita para conquistar uns elogios. Pegou a bolsa comprada na feira de todo sábado na praça e saiu a rebolar com certa decência, podia ser sensual, mas odiava ser vulgar e percebera que deixou-se ser por duas horas no dia de ontem. Quando findava o dia pensou no cheiro daquele lugar e até podia sentir - de longe - o gosto do suor amigo. Comeu, sorriu e pensou sobre o mundo e um filete sobre arte. Dormiu sem vê-lo aquele domingo e saboreou a vantagem de ser só quando queria.
21:35 PM. Ela não dormiu sem vê-lo, na verdade ele apreceu lá acompanhado de alguem que parecia melhor que Maria. A unica saída foi desviar o olhar e fingir não ver, porque ela já não sabia o que era, nem o que sentia... um misto de decepção com vergonha, de raiva com medíocridade. Arrependimento talvez. Podia ser de mil maneiras mas foi dessa. Agora de noite tudo parece irreal.
30.1.09
o trompete que ouço me deixa livre
e choro porque sei da minha profunda vontade de ser
bem mais ... mais
mas...
*
quer sim ser creme como aquele que vem no café, suave leve macio gostoso pro paladar.
é ritmo é doce é ininteligível. é. basta.
*
você se transformou numa assombração
me persegue todos os dias
minhas palavras
meus suspiros
meu olhar
*
não diria aos meus netos o campo de possibilidades que existe ao homem - def.: ser finito, fraco, mesquinho - de ser importante pra alguem na vida - def.: circuito, linha, corrida [pro mais capitalistas] - sem justificativa no amor - def.: (?) .
ps.: acho que nem na minha terceira geração saberei defini-lo.
*
é como quase outra esfera
a pergunta que não se responde por si
essa necessidade possuida de não ser acompanhada
ser solta entre aspas
pertencer a si só
*
curto capítulo I
era um fim meia boca, diferente do começo que parecia ser romance de filme francês. as bocas mexiam-se pouco ao contrário dos olhos que movimentavam-se rapidamente fugindo um do outro. ele pediu algo leve e ela bebeu agua e ouviram conversas alheias e não sentiram gosto da comida só a secura e o amargo de um fim já pronunciado desde o começo. sabiam ambos que não combinavam, possuiam na verdade alguma afinidade - pouca bem pouca. não há motivo pra tristeza ou assombro, concordavam entre si, sentiam era uma pontinha de descontentamento já que acreditaram por alguns dias que surpreenderiam-se um com o outro. não era o beijo que tinha gosto, era a vontade dela que dava gosto a ele e ensinara-lhe em tão curto tempo as destrezas das relações. sofreram um bocado só porque eram egoistas o suficiente para pensarem nos próprios umbigos e me deram uma boa estória para contar e aos senhores para ler.
e choro porque sei da minha profunda vontade de ser
bem mais ... mais
mas...
*
quer sim ser creme como aquele que vem no café, suave leve macio gostoso pro paladar.
é ritmo é doce é ininteligível. é. basta.
*
você se transformou numa assombração
me persegue todos os dias
minhas palavras
meus suspiros
meu olhar
*
não diria aos meus netos o campo de possibilidades que existe ao homem - def.: ser finito, fraco, mesquinho - de ser importante pra alguem na vida - def.: circuito, linha, corrida [pro mais capitalistas] - sem justificativa no amor - def.: (?) .
ps.: acho que nem na minha terceira geração saberei defini-lo.
*
é como quase outra esfera
a pergunta que não se responde por si
essa necessidade possuida de não ser acompanhada
ser solta entre aspas
pertencer a si só
*
curto capítulo I
era um fim meia boca, diferente do começo que parecia ser romance de filme francês. as bocas mexiam-se pouco ao contrário dos olhos que movimentavam-se rapidamente fugindo um do outro. ele pediu algo leve e ela bebeu agua e ouviram conversas alheias e não sentiram gosto da comida só a secura e o amargo de um fim já pronunciado desde o começo. sabiam ambos que não combinavam, possuiam na verdade alguma afinidade - pouca bem pouca. não há motivo pra tristeza ou assombro, concordavam entre si, sentiam era uma pontinha de descontentamento já que acreditaram por alguns dias que surpreenderiam-se um com o outro. não era o beijo que tinha gosto, era a vontade dela que dava gosto a ele e ensinara-lhe em tão curto tempo as destrezas das relações. sofreram um bocado só porque eram egoistas o suficiente para pensarem nos próprios umbigos e me deram uma boa estória para contar e aos senhores para ler.
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