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7.12.08

meus olhos de poetiza e de fotógrafa mal sucedida

descansam agora
um dia não estarão mais aqui
nem em qualquer outro lugar
sabe aquelas frases inesperadas que te envolvem até o ultimo fio de cabelo?
confesso q nos ultimos dias as expressões de sentimento não vem convencendo ou tendo sucesso.
mas é sempre assim, rediscutir os rumos da vida o tempo todo impede o deixar-se levar pelo acaso.
a preferencia de assumir os riscos dessa empreitada passa longe desse corpo
( e da alma - a palavra é mais bonita, mas desconheço um conceito de alma plausivel, tenho a noção vaga de uma esfera dos sentimentos e sensações).

é exatamente tal incapacidade de previssão que assusta a maioria das criaturas bem sucedidas na vida,
se por um lado podem saber demais, por outro desconhecem as razões do bem estar,
apenas por estarem ligadas a si mesmas.
se tem algo que justifica a existência, este algo não seria sobrenatural
digo isto apenas porque a incompreensão que me acomete em relação a esses assuntos é como um convite a descrença

este é o maior motivo dessa vida leviana...
dane-se se como puta ou irresponsável te classificam
no mais das vezes os rápidos momentos são mais importantes
as sensações mais intensas
a vida mais bem aproveitada

justifico esse pensar como se não tivessemos a opinão alheia como construtora da gente
mas no fundo eu sei que assim é e prefiro desprezar tal coisa.

de todas as profundas palavras e olhares trocados
aquele do elevador me disse tudo que iria ocorrer naquele espaço
e por isso olhei para os números e para os meus próprios pés
seria deprimente manter alguma interação com aquelas duas pessoas
só de pensar que no outro dia não seria eu a sua companhia.

mas no fundo era isso que eu tinha a dizer
a existencia dessa vida levada a indagação da validade de ser
é respondida por uma pura idéia destrambelhada
interdependência
interação
ou
outro
[quem sabe]
você

20.9.08

faz quatro anos, num domingo de manhã enquanto folheava a revista do globo parei no texto da martha medeiros, se chamava "todo o resto". a partir de uma frase no filme do cazuza ela consiguiu me fazer apaixonar pelo todo o resto da vida.

"existe o certo, o errado e todo o resto"

não importa o quanto de convenções que existe por aí, uma coisa é certa a gente se enquadra nelas, vive por elas, se conforta nelas. é supreendente o quanto mediocre podemos nos perceber quando um ser dotado de liberdade não age da maneira como esperamos, ou mais, quando não se comporta da maneira que nos comportaríamos na mesma situação.

sabe por que?

porque temos a necessidade de classificar as coisas. a coisa é errada ou certa. mas nem tudo é certo ou errado, existe muito mais entre essas duas formas de classificação.

é certo você respeitar o outro, dar passagem no transito, oferecer ajuda, não xingar o compaheiro, lembrar do outro quando vê algo que esse outro gosta, pedir "bença" ao pai e mãe antes de sair e falar o horário que vai voltar, citar os nomes dos autores que nos apoiamos para escrever, não copiar respostas das provas de sites, não confiar na wikipédia, retornar a ligação do outro, dizer bom dia, boa noite, boa tarde, comer de boca fechada, agradecer quando sair do elevador, programar o futuro, pagar as contas em dia, não sair com outro cara enquanto namora um...

uma imensidão de coisas certas.

não me darei o trabalho de escrever o que é errado, a essa altura você já entrou o clima do texto.

o resto sabe o que é? é toda sensação que não sabemos classificar. e você pode ter certeza que são muitas. muitas mesmo.

eu não sei me despedir. é certo? é errado? dole uma, dole duas, dole três: isso é o resto. tem que dar dois beijinhos? tem que encostar só a buchecha? pode dar selinho? é só o aperto de mão?

sacou?

simplesmente a vida pode ser bem mais. mais que classificações. mais que poucas desculpas. mais que planos. pode ser essa mistura incontrolada.

todos tem um ponto e algumas pessoas tem a mão certa. a minha é um pouco errada e por isso até o brigadeiro às vezes passa do ponto.

às vezes eu passo do meu ponto.

[cala a boca jaqueline]

19.9.08

eu não sou fina, só que estou rodeada de gente que é. pessoas que falam francês, comem salgados de garfo e faca, conversam sobre arte e têm opinião sobre tudo. não sou assim, definitivamente. não venho de uma familia tradicional, nem de uma do interior cheia da grana. minha mãe casou-se aos quinze sem nem saber que precisava trepar com o marido. me pariu aos dezoito. se separou, penou, trabalhou muito e me criou sozinha. faz dez anos encontrou alguem, esse alguem que se tornou meu pai. ele, um gênio sem noção disso, tenho certeza que seria um cientista, inventaria algo extraordinário, se não tivesse perdido os pais aos doze. fez merdas que hoje lhe são seus filhos. isso, aos vinte já era pai. é assim... o que é livro? jornal? sabe-se lá. televisão é o maior bem pra ele. já tivemos aqui em casa seis aparelhos, um em cada cômodo, só faltou uma tv no banheiro.

não posso argumentar minha pieguice por uma hereditariedade ou problemas psicológicos de criação sem pai, sem avô, nem posso justificá-la porque minha mãe não fala mais direito comigo, prefere sorrir com a moça que lava a louça aqui de casa.

posso reclamar da familia que tenho. mas não quero fazer isso. nem sou fina para fazer tal coisa. não tenho classe. ontem tomei um café na cavé e já veio aquele cara com uma xícara, um copo d'água, uma canelinha ao lado e um pingo de chocolate - mas o que é isso, eu só pedi um café, café normal. deu vontade de beber aquela água só pra matar de vergonha a minha amiga! não fiz isso, é claro. ela sorriria pra mim e diria como deveria fazer com cada coisa. eu ouviria com paciência.

sou paciente e calma, gosto de ouvir as pessoas, só não me peça para falar nada, não sei aconselhar ninguém. sou rispida. sou grossa. de poucas palavras. bem poucas. nunca ganhei nada de graça, nunca fui pra disney nem fiz curso de inglês. compro minhas coisa com muito trabalho e esbanjo vontade de dar por aí. mas não dou. troco, quase sempre.

a estratégia das boas relações não existe, elas acontecem. até porque qualquer relação que estabeleço deixo logo de cara o que pretendo com ela. disse uma vez para meu antigo namorado que não sentia mais vontade de estar com ele e pensava em outro cara. terminamos. a vontade passou e a gente voltou. é assim, jogar limpo não custa caro. talvez só um pouco caro, como aquele lanche de ontem no final com café, que paguei e nem toquei naquela canela, nem naquela água...

8.9.08

a vontade de escrever diminuiu bastante por esses dias, a de fotografar aumentou... mas tudo nessa minha vida tem um "mas", um "no entanto", um "porém". não seria diferente agora. fotografar é difícil, junta a falta de tempo, o falta de cia, a falta de segurança, a cara de novinha, e você se sentiria como eu. pode parecer desculpa tola, mas andar com uma máquina [que passei seis meses pagando] correndo o risco de ser roubada por aí, não dá. de resto, poderia me entreter com essa vida virtual, participar de fóruns e discussões, conversar a noite toda, ou ler os vários textos que deveria ler, só que chega uma hora que tais coisas não saciam a vontade de passar o tempo, chega uma hora que estar com pessoas é essencial. preciso muito disso agora. e não importa se passo doze horas num prédio, com pessoas que tem os mesmos interesses, é preciso de vez em quando, andar por aí, observar o movimento, o barulho ou o silencio de um lugar. é bom fazer isso só, e digo, já fiz isso algumas vezes, tem outras, que é necessário dividir com alguém [ou alguens]. essas relações imprecisas, desconexas, diluídas em expectativas e faces, desconcertantes e sem o mínimo de conforto, me deixam saturadas dessas normas, dessa complexidade, desse descuido ou mesmo desinteresse. me corta o tesão qualquer tipo de obrigação. uns meses atrás sentia isso diante o fotografar, substitui pelo escrever, agora sinto isso em ralação a esse espaço, e não adianta ninguém dizer nada, nem me consolar dizendo que a escrita é interessante. isso não me serve mais ao objetivo que foi criado. ponto forçado, pensamento perdido. tesão perdido. uma coisa afirmo, os dias passam rápido demais, num dia desses me vi escrevendo algo que senti vergonha depois. sinto mais vergonha agora. sinto mais desprezo agora. encontrei quem não queria naquele dia, tive que fingir indiferença, pura vontade de parecer superior. menti pra mim, me criei uma situação que existe apenas aqui, num circuito muito pequeno. estórias são inventadas todos os dias, quadros e planos também, gosto de ver o mundo enquadrado, faço um recorte, ver demais é quase como não ver nada, é o não dominar as impressões. todas as semanas passadas me levam a pensar no tempo que perdi, nostalgia e desagrado do uso mal feito dos dias, a espera de alguém. sabia que canto muito bem? e escrevo desenfreadamente em guardanapos gastando a tinta da minha caneta de ponta grossa? emputecedor. minha lente caiu e todo o trabalho do fim de semana vai pra o conserto dela. a vontade de fotografar vai passar. esse sentimento de esquizofrenia também. e o desleixo do cabelo. amanhã não vou escrever, vou dormir esperando não lembrar do desconforto que me causam as incertezas da fala do outro. deixo o médico pra minha mãe, recomendo um psicólogo para meu professor, e um padre pra minha amiga; porque alguns desabafam com as paredes, outros precisam realmente de um ouvido, eu, apenas de um beijo.

18.8.08

coisas, apenas juntas

não vou escrever nada verdadeiro, tão pouco inédito.
mas algumas coisas precisam ser ditas,
e não importa se assim já o fizeram.
novamente me coloco a escrever um texto ou sentimento que se constroí aqui
e de cara lavada e sem vergonha assumo minha irresponsabilidade
e o medo de não ser interpretada da maneira que almejo.
Minha insegurança que se torna mais forte a cada dia e se entranha no desejo inconcebível,
está corroendo a esperança do "fazer certo" qualquer plano de ação.
No mais, espero que os significados dessa imagem torta
que me deixo refletir possam impressionar quantas pessoas conseguir.
O texto, a imagem, a conversa, a roupa, tudo
é friamente calculado e percebido como mais um
ponto caracteristico de formação de um eu desajeitado,
mas muito bem compactado nessa redoma e vitrine ambulante,
que sorrateiramente se perde entre rampas, escadas e pessoas pouco educadas.
A estranheza comum que ataca os fios do cabelo
deixando-os, em número maior, brancos.
O costume de roer a unhas, volta, sem dó nem piedade,
injusto, afinal foram longos dias deixando-as crescer.
Contudo pior que as mãos pequenas é apresentar canelas desproporcionais
ao corpo miúdo que impele ao outro um domínio e ensinamento dos prazeres físicos.
Confesso que a incoerencia que me permito aqui deixar,
não diz respeito a nenhum ser vivente.
Confesso que hoje me confessaram que
o companheiro perfeito foi perdido e a falta do sexo e do beijo,
ou do mais simples abraço o deixava desconcentrado
nas tarefas do dia e das atividades academicas.
Pobre amigo, eu não confessei que sentia o mesmo, nem o farei aqui.
Confesso somente que isto me atinge - e não necessariamente
porque estou na mesma situação,
talvez seja apenas porque gostaria de falar isso a alguem
mesmo que ainda não tenha experimentado tais experiências.
No fundo, a experiencia vivida pertence a um,
mesmo que ela só tenha sido possivel pela interação.
Quando me olho no espelho e reclamo com ele sobre essa espinha ou olheira
que apareceram subitamente na face,
estabeleço uma interação com um outro imaginado,
mas não quero escrever sobre isso, simmel já fez isso e muito bem.
O ponto é, toda essa corrente desencadeada por uma pequena frase
destaca um elemento que diria o principal: representação.
um dia deixo alguem ler isso em voz alta e interpretar aquilo que eu mesma não consigo melhor fazer.

3.8.08

alternativa para um desejo bom

o silêncio que agora te dou
não poderia ser interpretado como descaso
apenas como um simples cuidado pessoal
preciso de algo mais para sentir intensamente qualquer sentimento
porque sentir é complicado

porque alternativas se apresentam a nós
e dentre elas alguma deve ser escolhida
é mehor escolher que deixar a vida acontecer sem nenhuma responsabilidade sobre ela
quero saber da minha vida
tomar conta dela
e depois que ela tiver bem crescidinha
corro atras dos sonhos
e dou um tchauzinho acompanhado do desejo de boa sorte