.................................................................... 13/07/2008
sei que vou perder os sentidos devagar.
talvez seja rápido.
como isso que aconteceu a dois meses
não quero outra vez esse frio que corta a alma.
quero é o calor que me faz sentir viva e rápida, mesmo que descuidada.
o perigo que me deixa vulnerável
a irresponsabilidade do momento
a discordia do corpo
o estar e não-estar.
pertencer a você ou não, não importa agora.
gosto das ambiguidadesque me formam.
quero hoje mais que uma tarde aliviada de meus compromissos
quero descobrir os limites do auto-controle,
naõ ultrapassá-los, apenas indentificá-los.
26.7.08
.................................................................... 12/07/2008
reticencias
as reticencias são mais que um recurso que usamos quando não temos o que falar. na verdade [ou na maioria das vezes] as uso quando minha fala é mais que a escrita. elas são armas que como tais ataco o pensamento de outrem. provocar no leitor a participação no texto faz com que uma interação no processo criativo aconteça. E isto... [agora as usei de sacanagem, quero continuar a escrever] é apenas isso, por enquanto.
reticencias
as reticencias são mais que um recurso que usamos quando não temos o que falar. na verdade [ou na maioria das vezes] as uso quando minha fala é mais que a escrita. elas são armas que como tais ataco o pensamento de outrem. provocar no leitor a participação no texto faz com que uma interação no processo criativo aconteça. E isto... [agora as usei de sacanagem, quero continuar a escrever] é apenas isso, por enquanto.
.................................................................... 05/07/2008
o céu e o meu cinza
o relógio na ultima vez que olhei marcava 17:43, depois fechei meus olhos e passado um pouco mais de tempo, o saculejo do onibus, as conversas alheias [que chamam nossa atenção], o vento no rosto, tudo passa, tudo se distancia... apenas a saudade fica em cena.
Esse sentimento me fez sair daquela esfera movimentada, eu estava ali e não estava.
Foi quando abri os olhos e o que me esperava era um horizonte escuro, de nuvens carregadas, pesadas de chuva e chuva forte [eram com eu]. Parecia que não era dia, que não era um fim de tarde com por-do sol. Engano meu. Percebi que as pessoas na minha frente estavam iluminadas, e não era luz sobrenatural, luz que quem vê está em outro plano [na verdade se fosse isto, eu seria a ultima a perceber essa luz], era o sol que transpassava as janelas, os bancos e se refletia naqueles que eu mal conhecia.
Essa luz que me deixou de boca aberta, sem ação, sem raciocinio, me fez contemplar. Contemplação: vontade de parar ali, sentar no meio fio e olhar, aproveitar os instantes que o cinza e o vermelho-alaranjado dividiam o céu, que delimitavam os espaços ou lutavam por eles.
Foi nesse espaço curto de tempo que me dei conta da grandiosidade que me cobria a cabeça, das nossas inconstancias, dei conta também daqueles fenomenos e da minha insensibilidade, da minha [e apenas minha] estranheza.
Estava ali naquele momento, o meu corpo e a minha mente [talvez a primeira vez que consegui mante-los juntos até aquele momento).
Pertencia a mim essa experiencia, de me reconhecer pequena, passageira, com o mundo maior que mim a minha espera, só que ele é maior que minhas ambições [e ações].
Contemplar me impediu de agir. Não fotografei aquilo.
No fundo sei que não conseguiria transmitir as sensações que me cortavam registrando com minha fotografia.
Precisava ali viver e não somente olhar.
.................................................................... 25/06/2008
atravessar o rio negro e chegar no cacau
aquele foi o céu mais azul e aquela a mata mais verde que vi.
o rio negro mais distanciava o barco da costa e as sombras mais negro o deixavam.
aquelas foram as cores mais intensas que vi,
foi a faixa verde mais longa com coqueiros na água e barcos cortando o rio.
a chegada em cacau foi marcada pela sensação ímpar de sentir-se estranho.
a estranheza de andar por ruas de chão batido,
dividir o espaço com caminhões esfumaçando o ar,
ser cortada no caminho por crianças correndo...
o movimento intenso entra balsa, rua, praça, feira,
tudo me deixava com a imensa sensação de não pertencimento, de visitação, de estrangeiro.
aquela foi a primeira vez que me senti fora de um lugar e de invadir um cotidiano,
mas essa invasão não dizia nada para ninguem
apenas para mim
atravessar o rio negro e chegar no cacau
aquele foi o céu mais azul e aquela a mata mais verde que vi.
o rio negro mais distanciava o barco da costa e as sombras mais negro o deixavam.
aquelas foram as cores mais intensas que vi,
foi a faixa verde mais longa com coqueiros na água e barcos cortando o rio.
a chegada em cacau foi marcada pela sensação ímpar de sentir-se estranho.
a estranheza de andar por ruas de chão batido,
dividir o espaço com caminhões esfumaçando o ar,
ser cortada no caminho por crianças correndo...
o movimento intenso entra balsa, rua, praça, feira,
tudo me deixava com a imensa sensação de não pertencimento, de visitação, de estrangeiro.
aquela foi a primeira vez que me senti fora de um lugar e de invadir um cotidiano,
mas essa invasão não dizia nada para ninguem
apenas para mim
15.7.08
18.6.08
sem título XIX
------------------------------
Não querer dizer, tudo bem.
Sentir, já é o bastante.
----------------------------
Tenho permissão para provocar-te um pouco mais?
[quem cala consente]
Então olhe aqui...
veja bem:
guardou os detalhes?
memorizou essas linhas? e as curvas?
e o desenho que resultam?
Ok.
Aguardo mais um passo teu
para sair da vitrine e te acompanhar por aí.
--------------------------
Não querer dizer, tudo bem.
Sentir, já é o bastante.
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Tenho permissão para provocar-te um pouco mais?
[quem cala consente]
Então olhe aqui...
veja bem:
guardou os detalhes?
memorizou essas linhas? e as curvas?
e o desenho que resultam?
Ok.
Aguardo mais um passo teu
para sair da vitrine e te acompanhar por aí.
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mãos
as tuas lindas mãos sempre mostram teu cuidado.
pegar com cuidado é bom, é fino,
principalmente quando isso é bem feito
e feito com gosto.
espero sentir essas mãos envolver meu pescoço
e com um movimento leve e curto trazer-me pra perto,
pra sentir o cheiro, conhecer o sabor e
provocar-me arrepios ao
beijar a nuca.
um dia elas passarão por esse corpo
serão íntimas dele
e conhecerão todo o espaço e esconderijos do desejo.
não senti-las será um crime
querer tê-las assim, é natural.
pegar com cuidado é bom, é fino,
principalmente quando isso é bem feito
e feito com gosto.
espero sentir essas mãos envolver meu pescoço
e com um movimento leve e curto trazer-me pra perto,
pra sentir o cheiro, conhecer o sabor e
provocar-me arrepios ao
beijar a nuca.
um dia elas passarão por esse corpo
serão íntimas dele
e conhecerão todo o espaço e esconderijos do desejo.
não senti-las será um crime
querer tê-las assim, é natural.
15.6.08
Consignar
Ultimamente meus sentimentos se fazem em palavras e confesso que isso se torna atraente para alguns.
Gosto disso e gosto de ser atraente atraves das palavras.
Os sentidos que tomam uma via demão dupla,
aparecem e somem, isso significa que deixo irem embora,
mais também que eles voltam,
sem minha permissão na maioria das vezes.
Contudo algo sempre fica, escondido aqui no meu silencio,
que intriga e faz pensar, mas que conforta o peito.
Porque a bolsa xadrez que eu comprei tem linhas
finas e grossas, bem parecidas com as minhas idéias:
fracas e tensas ao mesmo tempo.
Não gosto de nada duplo, apenas o lanche que o cara da esquina vende.
Gosto de tudo sendo um,
mas tenho que aprender que tudo tem pelo menos duas faces,
só que em algumas pessoas gosto de apenas uma.
-----------------------------------
Depois te digo o que quero e te faço o melhor amor do mundo.
Alcanu
"A vida é um trenzinho de apaixonados
(metade se declara e a outra metade se arrepende de não o ter feito!)
Desculpe invadir o teu quintal pra fazer tal desabafo,
mas achei pertinente fazê-lo, me destes o pretexto ideal !
Um beijo !
Alcanu
PS:Que belos pezinhos !"
(metade se declara e a outra metade se arrepende de não o ter feito!)
Desculpe invadir o teu quintal pra fazer tal desabafo,
mas achei pertinente fazê-lo, me destes o pretexto ideal !
Um beijo !
Alcanu
PS:Que belos pezinhos !"
13.6.08
Sem título XVIII
Ficar extremamente puto quando as coisas não saem
do jeito que foram planejadas é normal. Entenda isso.
Estar desocupado no mundo enquanto pessoas circulam em
volta de seus próprios desesperos, é ser apático, afinal você
deveria estar circulando também. Deixe estar.
Fincar seus pés no chão nem que seja pelo verso
é saída sem volta para o mundo. Puro orgulho do bem estar.
Buscar alvos mais altos que aqueles que a consciencia
acusa como inacessíveis é descuido. Descuido de si.
Por isso ser calmo, ocupado, ágrafo e sonhador
pode-se entender como o supra-sumo da experiência vivida
e dividida pelo tempo passado e por aquele que deve vir,
o futuro que não existe, e se constroi sem nossas mãos [ações].
Não querer apenas se enquadrar nesse quadro é opção
e mandar tudo para o espaço é outra.
Serei paciente e mais clara da próxima vez.
do jeito que foram planejadas é normal. Entenda isso.
Estar desocupado no mundo enquanto pessoas circulam em
volta de seus próprios desesperos, é ser apático, afinal você
deveria estar circulando também. Deixe estar.
Fincar seus pés no chão nem que seja pelo verso
é saída sem volta para o mundo. Puro orgulho do bem estar.
Buscar alvos mais altos que aqueles que a consciencia
acusa como inacessíveis é descuido. Descuido de si.
Por isso ser calmo, ocupado, ágrafo e sonhador
pode-se entender como o supra-sumo da experiência vivida
e dividida pelo tempo passado e por aquele que deve vir,
o futuro que não existe, e se constroi sem nossas mãos [ações].
Não querer apenas se enquadrar nesse quadro é opção
e mandar tudo para o espaço é outra.
Serei paciente e mais clara da próxima vez.
nietzsche tinha razão
Gosto muito das coisas que Nietzsche escreveu, e por isso gosto de não levar todas elas tão a sério. E ele disse certa vez: "as mulheres podem se tornar facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física."* Nisso eu penso duas vezes antes de concordar [e concordo], mesmo com medo do bigode dele.
* Humano, demasiado humano.
* Humano, demasiado humano.
12.6.08
11.6.08
Sem Título XIV
Passar a semana programando seu final.
------
Dizer a verdade para o espelho te faz sentir mais maduro
afinal você consegue olhar para você mesmo que seja apenas o reflexo.
-----
No domingo esqueço que a semana começou e encaro isso como um fim.
----
digalá, peralá
Gosto de escrever o que falo, e tudo junto.
peraí, digaí:
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Dizer a verdade para o espelho te faz sentir mais maduro
afinal você consegue olhar para você mesmo que seja apenas o reflexo.
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No domingo esqueço que a semana começou e encaro isso como um fim.
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digalá, peralá
Gosto de escrever o que falo, e tudo junto.
peraí, digaí:
a nota mais importante da aula
Estou acostumada em chegar e elas estarem olhando uma para a outra, com os comentários tecidos sobre todos sendo compartilhados.
Olhares, sorrissos, cochichos.
Mas hoje foi diferente.
Depois da quinta vez que as vejo, consegui estabelecer um contato com elas,
mas principalmente com ela que começa com i, que sempre esqueço o nome.
Ela ficou mais bonita hoje. Ela sorriu depois que pegou na camera. Ela sorriu pra mim depois que a ensinei regular a velocidade e a abertura.
Quero passar novamente por isso.
A sensação de transmitir algo, de deixar alguem entusiasmado,
da reciprocidade,
daqueles curtos minutos que dividi com ela que sempre esqueço o nome.
Olhares, sorrissos, cochichos.
Mas hoje foi diferente.
Depois da quinta vez que as vejo, consegui estabelecer um contato com elas,
mas principalmente com ela que começa com i, que sempre esqueço o nome.
Ela ficou mais bonita hoje. Ela sorriu depois que pegou na camera. Ela sorriu pra mim depois que a ensinei regular a velocidade e a abertura.
Quero passar novamente por isso.
A sensação de transmitir algo, de deixar alguem entusiasmado,
da reciprocidade,
daqueles curtos minutos que dividi com ela que sempre esqueço o nome.
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