22.3.09

o Diabo encontrou comigo hoje enquanto eu tricotava uma blusa e ouvia a Hora do Brasil.
Daí me contou um segredo: faz 400 anos que numa disputa com Deus - O Todo Poderoso - ganhara e tomando seu trono engana os incautos não divulgando sua vitória.

17.3.09

O dia foi longo e permeado de desortes de todo tipo, perda de capital, desencontros pretenciosos, ligações não atendidas, ansiedade, angustia e um pouco de dó de si.

por mais que nos ultimos dias eu tenha me entregue a algum tipo de incoerencia, é duro e desafiador perceber que tal sensação continua, mesmo após encontrar aquele amigo que não via há tempos, ou quando pude conhecer alguem por uma carta lida em frente a uma camera... conheci chantal akerman ela me contou suas imperfeitas e contraditórias histórias por um fio condutor que se expressa pelo silêncio, pela repetição, pelo nada numa tela... aquilo que é mulher.

mas repito a sensação continua. meu gosto pode até ser reiventado quando leio coisas que por exemplo bourdieu escreveu, mas só por uns dias, gostaria que minha vida tivesse tomado outro rumo. queria por uns dias não ter acesso a tantas informações que mais me enjoam de minha condição de individuo, do que me tras calma ou bem-estar, ou liberdade mesmo que forjada e mal resolvida... por uns dias gostaria de não sentir meus impulsos. não é o caso de não atendê-los, é o caso mesmo de não senti-los.

é furada a tentativa de otimização do tempo, aproximação virtual, desapego pelo outro. é furada a tentativa de querer parecer mulher madura, não me cabe esse papel. não tem um dia que não pense em me deixar livre pra alguem, mas não consigo. queria ter mais controle sobre mim, sobre meu gosto, sobre meus pensamentos.

é crise de pouca idade, tenho certeza.

de cabo a rabo, prefiro só a simplicidade
por isso vos deixo a velha máxima:

"DE GUSTIBUS NON DISPUTANTUR"

ps.: em latim pq aí estou marcando minha distinção, minha despretenciosa e desavergonhada tentativa de me inserir na elite intelectual, de possuir códigos outros que não de alguem que vem de uma familia protestante, na qual nenhum membro possui formação universitária, descendentes de nordestinos, cheios de supertições...

15.3.09

hoje eu preciso de palavras suaves e cheias de ternura ditas ao pé do ouvido por lábios de uma pessoa calma e sensata. dispenso apenas hoje qualquer lamúria e me recuso a olhar o mundo com frieza.

11.3.09

ontem desejei não ser mulher
nem madura, e talvez, desprovida de consciência

duvido que um dia de terça comum há dois anos atrás tal coisa me faria alarde ao peito
duvido muito menos que daqui dois anos eu sinta novamente isso.


***
O senhor nunca levou em conta que os homens precisam de mitos?
- Sim, claro. Mas então eles devem escrever poemas - é que faço também, a propósito. Também preciso de mitos - e de pinturas.

- O senhor era pessimista?
- Não. O pessimismo e o otimismo são igualmente categorias que não convêm; não consigo trabalhar com esses conceitos; se assim me permitem, eles são muito grosseiros. Eu não era nem otimista nem pessimista; fazia o possivel para ser realista.

Norbert Elias por ele mesmo. Zahar. 2001

8.3.09

eu não quero isso
seja lá o que isso for
(...)
quero tudo ter
estrela,
flor,
estilo

tua língua em meu mamilo
água e sal...

5.3.09

o futuro podia não ser futuro, daí as incertezas não fariam par com este corpo, e o passado poderia não ter memórias, daí estes lábios pronúnciariam mais calma e sossego do que agora será traduzido em signos. faz três minutos notei que vivo em pouca vergonha, de forma mediocre até, porque há um mundo tão bonito lá fora que meu enclausuramento só pode ser covardia. quando não estou entre quatro paredes estou imersa em palvras de alguém, isto, quando não estou com os pensamentos em outro.

podia ser o sofrer, mas esse é o viver. viver, que repito, é delimitado pela preocupação com o tempo, com a interação, com as músicas que como melodias de açucar se desfazem dentro do peito. ou com a intensidade que é ser jovem demais. é a vida toda pela frente te puxando pelo pé, mas há uma mochila cheia de pedras nas costas, sendo cada peso a meta que propus ao meu espírito quando tinha ainda doze anos. fugi de você ontem até porque eu não me faria bonita para ninguém - nem aos olhos de quem me ama; porque quando amamos alguem o bonito transforma-se nele e não importa quantos anos se passaram ou quantos dias não se veem, ou quantos minutos atras se beijaram, o bonito é bonito por ser, e tal coisa está nos olhos de quem a vê.

aquele gosto guardado aqui debaixo da língua, agridoce - como já sabes, me vem de meia em meia hora e as coisas expressas que gostas de ler não podem mais ser escritas por mim, é complexo demais, ou fluido. quando vejo já fui levada a fazê-lo pensando em você.

possuindo apenas sintonias pobres e letras baratas nem a espessa camada de gelo pude retirar de mim nessa manhã, e a fiz de propósito porque falta dias e milhares de minutos para o calor de dentro se expor sem preceitos. não falarei das memórias de beijos rápidos, de conversas despretensiosas e contrariedades que afastam os corpos, no final das contas [e isso já com os dez por cento do garçon], todos nós sabemos que diferenças separam mais que juntam individuos inteligentes. e não sou mais nem menos interessante porque falo isso, nem mais fraca ou forte feito rocha porque me liberto de angustias atraves de palavras...

durante um tempo na vida tudo é permitido, na verdade, este tempo dura enquanto os donos querem. outros justificam as permissões. minhas justificativas já não são segredo para ninguém.

o vento da juventude que me sopra o rosto
o ardor de paixões que causam fissuras nos ossos
a escassez de experiencia sensorial que transforma vontade em necessidade
a linguagem pobre que me causa insuficiencia de versos

***
canso rápido de minhas idéias e documento tais oscilações em vazias leituras.

4.3.09

sei apenas da alma que reclama pra si atenção
sei também que isso é murmúrio de meia idade

porque eu nunca achei o uniforme da seleção feminina de volei bonito
como sempre detestei homens que usam amarelo-manga

isso é velhice de espírito
monotonia da mente
morte do sonhos


não deveria os olhos transparecer os sentidos?
não dizem que são eles as janelas da alma?

a alma desse ser - e de um grupo maior de gente - é porão, entulhado de quinquilharias, abarrotado de memórias, submerso por angustias e expectativas.



mas se isso fosse verdade coisas lindas não saiam daqui:
o gosto pelas cores
pitéuzinho de composições
cheiro de mar




... meu iáiá, meu iôiô...
:)

detalhe pertinente de reflexividade: ando brega d+ pra meu próprio gosto salgado.

1.3.09

danei a declamar poesia pros meus amantes
e recordar calmamente as cenas mais alegres da vida - até aquelas que ainda não vivi.
como um déjà vu [ou nostalgia]

***

li hoje que os chimpanzés têm (alguma, e seja lá qual for) noção de eu. eles podem se olhar no espelho e reconhecerem-se.
hoje não me senti no topo da escala da evolução, quando acordei e não me reconheci na imagem que era refletida de mim: um misto de criança e mulher, de juventude e desesperança, de beleza com feiura (uma feiura braba daquelas). danei a reclamar com Jacuí minha situação, ele ou ela [1] me dava toda a atenção que precisava naqueles dez minutos matinais antes do café.

depois do banho me senti um dos seres mais bonitos do mundo e mais dono de si também.

________
[1] pois não é que troquei o sexo do meu gato? pensei ser uma femea e a dei um nome feminino, justifico: ela miava pra cacete e como uma homenagem aos nambikwara a nomeei como a flauta sagrada, na verdade não queria era ouvir aquele miado irritante; mas na quinta passada a vi fazendo xixi pra trás - típico comportamento masculino (se fosse a especie homo, falaria: "fazendo xixi em pé") - entrei em paranóia, agora aqueles olhinhos verdes tão meigos são de um macho que tem duas bolinhas enormes entre as patas, tá sendo dificil pra mim, ainda não lhe mudei o nome e acho injusto fazer isso agora.

26.2.09

o script não foi seguido e a barba mal feita, tal como as unhas dela que não tinham mais a cor de café expresso. dessa vez, pintou-as francesinha e cortou os cabelos escuros.

Ele, cujo nome ela nunca revelara a mim, não gostou daquela mudança, ele gostava tanto de café que chupava seus dedos finos e pequenos quando os via com aquela cor. Maria sabia disso e usava bem essa fraqueza, que era como um código que ambos elaboraram ao silêncio. Era ela aparecer com aquelas unhas e ele sabia que podia quando bem quisesse atravessar as mãos pelo vestido ou saia. Coisas de casal, todo e qualquer par que se preze inventa uma linguagem própria, cheia de símbolos, significados que pertencem ao número restrito de pessoas, dois. Uma amiga de Maria comentou durante a semana sobre um 'sinal' do seu marido, se ele olhar para a tv e o relógio com aquela expressão, a sobrancelha esquerda mais elevada, ela lhe vinha com o jornal. Maria de repente se imaginou servindo café e não o seu desejo ardente se continuasse com aquela linguagem. Por isso, pintou as unhas à francesinha no outro dia de manhã e chegou com mais vontade de ter aquele homem dentro dela do que em qualquer outro dia. Ele assustado pensou duas vezes antes de passar as mãos por entre as pernas de Maria ainda no carro, mas ela se vestiu pra isso e com elas entreabertas convidava os olhos dele, bem como suas mãos. Foi quando ele disse:

- porque as unhas estão claras hoje?
- resolvi mudar, meu bem
- e porque? gosto tanto delas daquela outra cor...
- eu sei, mas é melhor não cair na rotina. Me beije aqui - disse ela apontando para a boca fresca.

Ele a beijou, e seu pensamento era uma confusão, havia apenas alguns meses que saiam juntos, encontros que eram casuais porém com certa regularidade, que o atormentava uma noite ou outra, mas que ele sempre cedia porque, como ele mesmo admitia, Maria tinha o gosto muito bom, era gostosa. Intrigava era essas ações dela, que gostava de ficar só algumas vezes, em um silencio absoluto, e virava e mexia, saia com uma dessa de cair na rotina, fugir do compromisso, descarrilhar o trem, não que ele quisesse que fosse tudo certo, como manda o script, não, ele gostava da casualidade, da amizade colorida, da intimidade que existia muito mais na cama do que em qualquer outro lugar. Foi um tormento quando abriu os olhos novamente, já estava ela de olhos abertos, e foi a primeira vez que ele percebera que ela sempre abria olhos primeiro que ele. Começou a observa-la mais de perto, com mais precisão ou atenção.

Ela ainda abaixando a mão em direção ao peito dele, sentiu a aproximação do corpo grande daquele homem muito rápida, ele fugia de algo, pensou ela, e enquanto o beijava não conseguiu como nos outros beijos, apenas senti-lo, ela se indagava daqueles olhos fechados, daquela rapidez da língua e não mais podia fingir sentimento, abriu os olhos. Foi quando ele percebeu.

Não conversaram mais que meia hora e foram pra cama, daquele dia em diante ele pensou ser outro código inventado, unhas à francesinha era sinômino de mais desejo e ela pensou ter rompido com um código. enganaram-se os dois, mas não a mim.

(perdoe-me terminei o texto desajeitado, nem falei do corte de cabelo dela, mas é que preciso continuar com as fotos, e os amigos me chamam querendo-as.... outra hora ou dia continuo e justifico, não coloco como rascunho porque então aí é que eu abandono a estória... já tem tantas coisas que abandono que preciso me manter presa pelo menos nisso aqui.)
naquela tarde com as mãos tremendo invadiu sua própria boca
com força e sem piedade de si travou uma briga com seu corpo
conseguiu passar pela garganta e chegar ao peito - ali onde estava seu coração e logo atras o pulmão.
fechou os olhos e sentiu o afago, a dor, e suspirou profundo
com as unhas arrancou aquele pedaço de amor
deu umas porradas no outro órgão e
sentiu o alívio que causara a paz
esta, fugiu-lhe de medo.

foi assim quando o caos se instaurou.
fabriquei a taça de vidro brilhante e com o vinho retirado de mim mesma fui à mesa com você. comi teus sonhos e saboreei o sabor que saia da tua boca doce. era doce... mas acabou. furei teus olhos e salivei teus cílios, cogitei a idéia de manter-me ali, ao lado do teu corpo, morto, que parecia-me mais vivo do que nunca. mas fugi e deixei-lhe uma marca profunda, agora não podias tu, daqui pra frente, ver amor em mais ninguém.

25.2.09

é quarta-feira de cinzas
e o meu corpo mais moreno
a boca ainda mais vermelha
tal como o desejo - só, que de cor intensa
ah, e os sonhos? azuis como o céu.

20.2.09

hoje eu estou tão bem que só uma palavra chula transmitiria a sensação
hoje eu to bem pra caralho.

foi dia de poucos amigos e só um dia pra mim
eu indo de encontro ao meu autor preferido
redescobrindo que tenho músicas na barriga
na garganta tenho um grito surdo
no peito um amor imenso

só explico isso porque hoje
estou do tamanho do mundo
ou maior que ele. e sem exageros.

18.2.09

não aguento as palavras dentro da minha cabeça e não importa se vocês não vão acompanhar o ritmo ou vão dançar num outro, diferente, feito samba ou um bolero. não há na vida e tarde quente uma macia saudade. não há nada macio e isso é de assustar. porque vai ver [e ser] que as coisas devem deitar em suas camas e dormir o sono delicioso que me foje entre as pernas como um liquido, como vidro, pó de vidro, que não é feio mas perigoso... pó de vidro... corta tambem e faz o mesmo mal que outrora poderia fazer quando em outro estado. fumaça preta mesmo, como fogos do jogo no maracanã ou da polícia quando entra na favela e pouco [ou nem] se importa com quem anda descalço e sem camisa porque corria atras de pipa. na vida prática pouco importa quem você é, importa mesmo o que acham que você é. vadiagem, pura vadiagem, vagabundagem. repito em mais um melodramatico digitar e tilintar dos dedos cheios de sujeira.... vagabundagem. não vá despistar o silencio com fuga dos olhos para textos e sátiras, nem noticias de jornal, nem me diga a profundidade dessa lama que você fez na minha vida, nem refaça os planos que não deixei me contar, fabricara tão bem meu balanço que nunca pude me sentar nele já que minhas pernas não alcançavam o chão, e por isso mesmo o fim que almejava (o de me balançar no balanço) nunca foi concretizado. por isso não me satisfiz com essa merda de verso sem rima, apesar de em apenas uma parte ser bonito e pôr pra fora algo que senti nessa tarde. e como um padre lhe digo nessa hora, quero é isso escrever em verborragia, com milhares de palavras e sem medir a forma que causam aos olhos [seja de quem for]. por cima da perna que depilei hoje mais cedo me caiu um pedaço do chocolate que desde ontem desejei feito sexo, sim ele não foi tão bom quanto o ultimo que fiz, sinto o cheiro ainda dele aqui na perna e me dá mais vontade de saciar com coisas industrializadas e não com um corpo quente ao meu lado. sufoco mesmo esse querer e não me contento com isso, e mais. vejo nisso algo bom pra criar, e ocupar a cabeça vazia e o corpo frio. não fiz nada hoje, nem a atenção consegui prender nas minhas unhas enquanto dádivas de trabalho duro contra o vicio. ai os vicios. são eles como já disse tanta gente, combustiveis que fazem a alma reviver mas a faz morrer mais rápido e isso é justificado porque é intenso. não vou me pôr a falar mais e mais de intensidade, nem de virilidade, nem de outra ..ade que não me vem a cabeça. falo apenas desses fluxos descontinuos embaraçados e confundiveis, não sou tão boa como quem escreveu "a meia marron" e duvido muito que um dia chegarei num nivel desse mas só a tentativa de vomitar as palavras me impulsiona na tarefa, que não deveria ser concomitante ao som de bob dylan, mas cairia melhor um classico desse da vida, quem sabe mozart. mas de qualquer maneira o som é influencia que não é determinante nem amplarmente importante nessas horas, porque sou quase surda de um lado (apesar de ainda não descobrir que lado é) e por isso até quando me reservo o papel de bisbilhoteiro a la goffman numa conversa não o desempenho com sucesso.... perco falas e fio da meada. quase como o que ocorreu em algumas linhas atras, mas é uma viagem, sempre, uma viagem. e nessas horas você pode revisar e recriar o caminho, que foi asfaltado com algumas leituras extraviadas da caixa de correio do vizinho... e prefiro assim, porque se fosse de barro, chão de areia, mudaria mais rápido e sendo assim não saberia explicar a dinamica que acomete a vida diária. por isso quando a fulana fala que voltou da europa e tem uma porrada de coisa pra contar [e os bicos do peito dela parece gritar junto], tento fugir do som e aquela puta continua a falar, ah professor... ela voltou, com as pernas de fora e o cabelo longo. aquele cabelo que me incomoda tal como o da outra sempre ensebado. é demais pra mim e isso é alguma inveja e tenho consciencia [plena] disso.
aviso, sou invejosa. e machista. e pouco me importa se isso é da ideologia dominante e se até na arqueologia as pessoas querem ver lutas de classes, que hodder vá pro inferno, assim como aquela amiga de cabelo duro que anda me desprezando. é demais pra um ser de 1,60 de altura. a minha outra amiga traiu o namorado e me conta isso com remorso, eu lhe pregunto: gozou? ela gostou e ficou até com marcas pelo corpo (isso me dá até vontade d ficar com algumas também). então, há coisa melhor?! sim, há coisa melhor. companhia e a cumplicidade de entender o outro no olhar. respeito os casais duradouros mas acho que nunca alguem gostará de me ter com par, porque nasci não pra ser sozinha, odeio ficar só e odeio ter que assumir isso... sim nasci pra ser par pra mim. é a alma que tem 1,80 de altura e me serve bem de companheira, é meu lado macho falando mais alto apontando uma arma pra mim e perguntando: qual é a tua [meia] mulher?!
qual é a minha, porra? o que eu quero com isso... muita coisa. de tanto pensar me perco no pensamento. outra hora lhes digo como termina isso, apesar de saber eu e vc que isso nunca acaba. como também nunca acaba o tempo inventado arbitrariamante e esse sentimento que me confunde a cabeça e a minha própria ideia de espaço e minha causa de fome, e sede. falta é tesão pr'os estudos de gente viva, porque me vejo nelas e seus problemas colam em mim. é um grude. uma merda. sei que isso que escrevi não vai agradar a algumas pessoas mas saciou meu disturbio de porralouquice -por enquanto.
é como ferida mal curada
lápis sem ponta
túnel sem saída
metade d'um mesmo corpo
[ou da laranja?]

truculento
compêndio do amor,
arrogante
manual das relações,
não há rima
nem pobre
[talvez]
uma arritmia

feito poesia concreta
discreta
repaginada mas pouco sofisticada
só que alumiada
com talento
e brilho de olhos de gente que está a sonhar...



p/ "Vontade de Início da Noite"