28.1.11

o abandonei alguns dias
por minha promessa de colorir as palavras
pelo sonho que a alma deveria sorrir.

Sorrir com todas as cores.

a prudência com doses de medo
me levou àquela rua estreita
podia ver pessoas das janelas de suas casas
jogavam flores mortas
quando o amarelo não era brilhante
e o verde das folhas um escuro de matiz indefinida.

passava dias de baixo de sua janela
podia apenas ver as cortinas
por tras delas as sombras
delineavam a forma da sua alma.

Ainda tão obscura, tão distante...

o que vi era reflexo
nos meus ouvidos frases
cores da unha com nome de café
eu sorria com os olhos
tu, desequilíbrio de minha moralidade.

Não poderia sequer me esforçar esquecer.


este ardor de amar em silencio
aceitação da forma virtual.

esperar o tempo necessário?
fato.
quando a sombra me amaria?
nunca.

a capital o tomou de mim
e tu nunca a deixastes
a mulher "pequena e bela"

Eu nunca fui sua pequena e bela.

continuo...
conforme ando
mais estreita, mais vazia
a rua ou a alma

espero...
uma cortina a se abrir
cores ou sombras

Não há o que dizer.

p/f.

28.12.10

dói muito. seria presunção dizer que dói mais em mim que em outro ser.
mas me admiro com minha capacidade de tornar tudo complicado, angustiante, lamentável.
minha alma experimenta uma inquietude característica daqueles que estão perdidos, que não compreendem muito bem seu papel no mundo, que não consegue vislumbrar um motivo real (inventado) que justifique buscar felicidade.
talvez as escolhas não sejam as mais acertadas, talvez seja o medo que sinto cortar cada osso de meu corpo.
talvez eu esteja descobrindo o quanto covarde eu sou.

tenho feito desses dias os mais cinzas que lembro, e me pergunto quando trarei para eles alguma cor.amor.coragem.

20.12.10

eu sinto nojo, vergonha e pena de mim.

há algo que impede que as pessoas sejam sinceras comigo. há também uma dose forte de minha parte de um sentimento que não sei nomear - desconfiança, talvez, desapego.
procuro classificar estas sensações e não passa de um exercício medíocre.
medíocre tal como eu mesma.

sinto que cada dia que passa fico sem lugar, fico sem amor, fico sem vida.

escrever me machuca mais do que em qualquer outro, porque é um reconhecimento silencioso da minha incapacidade de ter neste outro o carinho que preciso.
me relaciono com pessoas distantes mas não sei se é por que eu quero isso ou não consigo ser diferente.

ando por demais triste, ansiando por estar naquele mundo que inventei e é confortável. longe de mim, de minhas referências e drogada... pelo menos assim as questões não me vêm a cabeça.

por que me exponho para um homem que por vezes demonstrou sentimento algum por mim, nem quando abortei um ser que era fruto dele também.
por que apostei minhas fichas em um homem que saboreia meu sexo pensando em outras mulheres.
por que tento olhar nos olhos de pessoas que apresentam de forma fraca e dúbia aquilo que deveria ser forte, chamada por alguns de amizade.
por que não consigo enfrentar a mim mesma quando penso que nada disso vale a pena.
por que não tenho coragem de acabar com isso
porque acho que vai passar, tudo vai passar

18.12.10

é muito difícil quando você percebe sua mudança de forma tão enfática.
é um choque.
uma crise.

sempre soube da minha incongruência familiar - de pensamento, de gosto, do modo de vestir, do que ver, como falar...
mas passar esse tempo fora só expôs ainda mais tudo isso,
só potencializou minha convicção da categoria "peixe fora d'água" quando entro nesta casa.

meus irmãos cresceram, um abandonou a escola, o outro repetiu de série
...eu quase choro...

o alto nível de estresse por qual passam meus pais, faz meu nível de depressão tornar-se maior. minha decepção, meu transtorno. é muito cedo pra dizer que cansei de argumentar a favor de outros valores que não apenas a moral do trabalho...

todos meus irmãos trabalham no negócio do meu pai, mantêm a coisa na família mas não valorizam o estudo, o conhecimento, a leitura, em última instanciá, a informação.

eu sou aquela que ninguém quer ser, aquela que ler demais, que é estranha, que se veste mal, que não sabe e não entende nada daquilo que eles consideram importante.

o que aconteceu comigo?
ou
o que aconteceu com eles?

dói mudar tanto

por vezes me vejo melancólica
outras vezes finjo não me importar
por vezes passa pela cabeça a responsabilidade que tenho de dar certo na vida.
outras vezes é pesado demais.

observo do sofá o diálogo que se desenvolve na sala, ao lado da tv, entre pai, mãe e filho...finjo não escutar focando os olhos nas linhas de páginas amareladas de um velho livro.

renúncia. cansaço. basta.
não sou mais daqui.

14.11.10

essa curta vida me faz (re)correr aos sentimentos mais puros que uma mulher se permite sentir.

15.10.10

eu sempre aposto minhas fichas no jogo errado. não tem jeito.
por mais uma vez aquela certeza foi embora, como você que sai da minha cama sem dar tchau, beijo ou carinho mesmo. e nesse jogo (perdido desde o começo) me submeto aos seus desejos e aceito as suas escolhas. na verdade eu não posso apagar meus escritos, emails enviados ou os olhares que dispensei a você com a esperança de no silêncio lhe convencer da minha paixão. mas me dá muita vontade. porque digo novamente, sinto vergonha de mim na imagem como a qual você me olha, observa. estou aqui, sozinha mais uma vez, sem cheiro, fome, sono, quase sem som.

25.9.10

De dentro desse quarto extrapolo meu limite, porque o tempo se submete aos meus devaneios, tua sombra me persegue, teu gosto me sobe aos lábios e sem voz alguma escuto do vento um sussurro.
Notas, melodias, sabores, cores, espaços, lugares... eles me levam até você, quando não sinto teu cheiro, sinto a textura de sua barba, a espessura de teus pelos, aquele olho caído, de um castanho comum.

Marcas no meu corpo desfrutam do toque seu, das coisas ditas, dos olhares não correspondidos.

Iludir com dor o amor me traz uma pequena paz...
porque a calmaria que encontrei no ar que dividi com você não voltou tal como a carta extraviada.

26.8.10

Eu revirei uma mala que escondi por quase um ano. Lá estavam meus amores, minhas ansiedades de outrora e meu desejo de liberdade.
Por vias de mão dupla caminhei até agora, numa via, na verdade, muito particular, onde eu projetava naquela parte que vem do lado oposto, aquilo que eu pensava ser que poderia vir. Isto é, até agora balbuciei poucas e medíocres palavras sobre o que é viver aqui, no meio do nada, longe de tudo, onde qualquer relação, a mais intima, é superficial.... virtual... no sentido mais stritu da palavra.
Reconheço que me falta mais imediatismo nessa hora, me falta aquilo que eu mais pensava ter: a filosofia do sentir.
Pode ser discurso frouxo, porque faz tempo, já me acostumei com ele.
Pode ser também refugio perante a insanidade que é esta cidade, local onde encontramos um pouco de índio, de nordestino, de moderno, pós-moderno, porralouca, covardes.

Cheguei onde queria não chegar. A covardia tomou conta de mim nos meses anteriores, nos quais sob a balela da metodologia falida da imagem em que sequer enquadrar cenas cotidianas, como algumas vezes bem fiz, consegui me empenhar.
Faltou interesse? Juro que não.
Faltou “olhar”? também não... tenho em minha cabeça retratos de senhoras descascando macaxeira, meninos remando ou pulando no rio, homens carregando mercadorias no porto, vendedores desconfiados, pessoas felizes tomando a cervejinha diária, motos cortando ruas com fogões voando, esgoto, ratos, fumaça, castanheira, por-do-sol, casas, santos, luzes, movimento de forró, quase o cheiro desse lugar poderia estar “impresso” nas minhas imagens, imagens da cabeça, da lembrança, da memória.

Imagino que nunca poderia fazer sentir alguém o que sinto aqui.
Estou fora do lugar mas ao mesmo tempo tão dentro dele, que não consigo olhar distanciado (mas é preciso?)... a melhor maneira é não se envolver sentimentalmente (mas é possivel?)...
Por isso recorro e corro desesperadamente pra esse mundo em que palavras se transformam em pessoas e podem elas mesmas tomarem a decisão de rumar em direção as pessoas de carne,sentimento e osso, ou apenas em bits de um arquivo de texto.

Hoje elas se permitem, através de mim, encontrar os olhos de outros.

1.8.10

hoje o dia está lindo, há um céu azul, com nuvens como algodão doce, uma brisa, um vento leve. se lá fora está assim, aqui dentro tem um nó, como de marinheiro, e não dá pra desfazer.
o peito está embasado, escuro, nem poderia expressar minha maneira de sentir hoje em palavras.
porque juro, não entendo como você faz de mim o que bem quer... fico como cego em tiroteio sem saber pra onde ir.
há possibilidades lamiadas
sombra fresca
sussurro
e um soco na boca do estomago.

30.7.10

22.7.10

Aquela frase “com o tempo passa” só pode estar errada
porque o tempo só faz aumentar o sentimento e a confusão... “com o tempo complica”.

Sim, estou na beira da estrada me perguntando se entro no carro de carona ou se vou ali de bicicleta pelo acostamento. Estou machucada, e os tombos vêm servindo como anestésicos, porque dor atrás de dor, quando você se dá conta, já está acostumado.

Minhas palavras caíram pra debaixo da cama, extrapolaram as margens do word, se refugiaram nas paredes, tudo isso porque você não se importa com elas.

É culpa minha?
É culpa sua?
A culpa é de quem?

O tempo me faz apenas recuperar uma paixão inventada.
Só não quero morrer na praia cedo demais

15.7.10

está tudo meio de cabeça pra baixo
o cotidiano normal remexido
-------------------------------------quem vai querer mudar
-------------------------------------quem vai querer andar

meu corpo existe num drama
entre ele, eu, nós
há distancias imaginadas
caminhos tortos, um atalho

uma saudade leve,
aroma que vem do sonho de domingo as dez da manhã
um relógio que conta as horas em marte
-------------------------------------você vai querer mudar
-------------------------------------você vai querer andar

não cabe em si
extrapola os sons, o gosto
carcome o sentimento frouxo
sonha comigo, contigo
-------------------------------------eu vou querer

14.7.10

12.7.10

descobri essa coisa de inferno astral. e cá entre nós não há no mundo coisa melhor que explicar (ou tentar) o que a gente sente - isso quando você (digo eu) é um ser apegado numa tal racionalidade irracional.

9.7.10

eu gosto muito de coisa velha. tenho o ferro da minha bisavó no meu quarto. tenho os cadernos da quarta série. adoro as senhoras e senhores que tem muita estória pra contar. mas se uma coisa que me atrai são novidades musicas, não que eu seja uma moça antenada ou que meus saberes musicais são tantos que isso me faça ser uma boa entendedora de música: não. pelo contrário até.

bem, essa balela toda é pra colocar esse video aí de baixo acompanhado do link do site de Devendra Benhart. O cara é louco. Psicodélico. Coisa de primeira. Gostei demais!



O site: http://www.devendrabanhart.com

é possivel ouvir todos os discos.