18.1.09

e estou a diluviar...

nunca alguem me viu de verdade, mais por falta de permissão do que desinteresse compulsório. aqueles que tentaram correram de mim no segundo instante de contato ou intrusão, porque é assim que tanta gente se esvai de minha companhia. não é reclame ou lamúria, é fato. insolente fato. pouco comovente e mais animador que não pareça ser. a poesia que se faz nesses casos é destoada de sentimento ou brilho de luz, é muitas vezes escura, embaraçosa ou desfocada. por isso o isolar o peito das intensidades reservadas a ele é cogitado varias vezes ao dia, mas nem sempre respeitado. o orgulho é maior e a falta de prazer fala mais alto.

pessoas orgulhosas desfazem as malas mais rápido.
as sentimentais nunca as desfazem.

expressão de carater bom falta àquelas primeiras e é de sobrar nas ultimas, assim dizem os mais velhos. só que falar demais por entrelinhas é como dizer nada porque por falta de sabor até as linhas mais escritas e bem escritas se perdem no leitor que à espera da compreensão se vê desiludido, decapitado, desrespeitado quando não a tem (digo, a compreensão).

respeito falta aqui. e lá. e nem mais posso reclamar.

aquele gosto de morango macio, delicado e do sorvete de creme que deixou no meu peito por vezes sobe aos lábios e a lingua tenta e não consegue sentir o prazer que foi insatisfeito por um lado. porque assim deveria ter continuidade mas por horas ele se corroeu ou correu de mim.
agora proponho que as belezas sejam corriqueiras. nem pai nem mãe podem assumir o erro, nem eu, voltar atras. costumo receber os elogios teus como fontes de rejuvenescimento, já que apesar da pouca idade e pouca experiencia, sinto o tempo passar tão passatempo que ao olhar pra ontem as rugas brotam no rosto. não é culpa de ninguém. nem minha. suplico nem piedade nem carinho, poucos são os momentos que construídos por bem prazer ou prazer bom desfumaçam os sonhos de meia moça. meia moça sim. um pouco pudica. mas sem vergonha no pior sentido do termo. sem mais ou mas e poréns. só o vento do ventilador gigante que refresca o corpo seja da temperatura do mundo ou da cabeça. escrevo pra ninguem e publico pra mim. disfarço a vontade de leitura de alguens e exponho pouco a pouco o diluvio que não é tão santo como o de noé, mas é tão intenso quanto [que pode afogar ou mesmo matar]. é foda esse final.




ps.: não voltei a escrever. é só uma recaída. tenho direito a algumas.

6 comentários:

  1. então volte a escrever... faz bem (pelo menos a nós que lemos).

    seu blog é bom! teve muito mais "competência" do que eu para tocar um negócio desses... hehe

    beijos,
    gus

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  2. Suas palavras lhe despe. E quero mais.

    Continua.

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  3. A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem contra o outro. É
    como se eu tivesse ao invés de dedos, ou dedos na ponta das palavras. Barthes

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  4. .já leu fragmentos do discurso amoroso?

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  5. ah tempo, tempo, movimento, vento ... oxigena, enche de vida e a transforma, inicia e consome no mesmo instante de tempo, repentino, ligeiro mas arrastado ... que me arraste então ... suas escrivinhações são ótimas ... bj

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